Arquivo da categoria ‘ultraviolet light’

Destruição.

Julho 1, 2008

Sabe o que é mais engraçado quando nós fazemos coisas das quais não gostamos? É o fato de, a todo momento, aparecem pessoas que dizem o quanto nós somos sortudas por ter tal habilidade ou privilégio. Porém, quando fazemos coisas das quais nós realmente gostamos é quase dez vezes maior a quantidade de pessoas que se juntam ao nosso redor para nos fazer desanimar.

E sabe o porquê disso? Porque quando um ser humano vê outro, tão derrotado – ou pior – que si, se sente impulsionado a seguir em frente. Afinal, qual de nós não se alegra ao saber que existe outra pessoa com problemas dez vezes maiores que os nossos? Qual não é nossa alegria ao ver que outra pessoa – da qual geralmente gostamos – está realmente mal por causa de uma coisa?

É o instinto humano, primitivo e animal. Mas cabe a nós, somente a nós, controlá-lo e detê-lo, antes que cause mais estragos dos quais costuma causar.

 

xoxo

Nietzsche.

Julho 1, 2008

“Viver perto demais de um homem é a mesma coisa que retomássemos sempre uma bela gravura com os dedos nus: um belo dia teremos nas mãos um péssimo papel sujo e nada mais. A alma de um homem se desgasta também por um contato contínuo; pelo menos é o que nos acaba por parecer – nunca mais haveremos de rever sua figura e suas belezas originais. Sempre se perde no relacionamento demasiadamente íntimo com mulheres e amigos: e nisso se perde às vezes a pérola da própria vida”.

 

 

(Trecho retirado do livro ‘Humano, Demasiadamente Humano’, de Friedrich Nietzsche)

V for Vendeta.

Junho 29, 2008

Voilà, à sua vista um humilde veterano do poder vil trajado com vestisse de vítima e vilão pelas vicissitudes do destino. Esse semblante não é mero verniz de vaidade, é um vestígio de vox populli, agora vazia e esvaecida. Porém, essa valorosa visitação de uma vexação passada, se encontra vivificada e fez um voto de vencer os vermes venais e violentos, que se valem dos vícios e valorizam a violação violenta, depravada e moral da vontade. 

O único veredicto é a vingança, a vendeta, tida como vontiva, não por vaidade, pois o valor e a veracidade de tal devem, um dia, vindicar o vigilante e o virtuoso. Verdade como essa, vívida verborragia, já se faz assaz verbosa. Permita que eu acrescente que é uma honra escrever-lhes.

 

 

(Trecho retirado – e adaptado – de uma fala da personagem ‘V’, do filme ‘V for Vendeta’). 

Cremes de Envelhecimento.

Junho 18, 2008

Olhou no espelho. A imagem ali refletida não era o que queria ver, mas de repente, sua situação não lhe pareceu tão mal. Havia batalhado muito para chegar até onde estava e a falta de amigos e parentes não iria começar a surtir efeitos agora. Ela não deixaria.

Sentou-se na enorme cama que mantinha em sua suíte presidencial. Acendeu o cigarro. Todo aquele luxo, todas aquelas coisas, as roupas, sapatos, bolsas, cremes. Tudo. Tudo aquilo ela o que ela sempre queria desde cedo. E era por aquilo que ela tinha deixado tudo para trás.

De repente, todas aquelas pedras brilhantes, o branco dos cremes anti-envelhecimento, lhe lembraram sua mãe. Os brancos dos cremes refletidos nos cabelos lisos e escuros mesclados com o branquíssimo daqueles novos cabelos que ali pousavam.

Quando nova, ela não via a hora de se livrar daquela vida, das tristezas, do sofrimento, das responsabilidades impostas pela mãe – que logo a faziam lembrar de coisas más, a falta de gratidão dela, o mal-agradecimento quando, com muito esforço, uma tarefa era realizada, deixando a filha orgulhosa de si mesma, o grande defeito de tudo aquilo era ver que a mãe não se sentia tão ilustre, de ter uma filha tão esforçada e dedicada às coisas que fazia.

Fatores como esses, aliados à brigas, falta de comunicação tornaram muito mais próxima a distância que a filha queria da mãe. A única coisa que a menor não sabia era a falta que sentiria dela.

Disenchanted.

Junho 18, 2008

E quando todas as luzes se apagaram nós vimos nossas vidas na tela.
Eu odeio o meu fim, mas começou com todas as cenas certas.

Foi o rugir da multidão que me deu desgosto para cantar.
Foi uma mentira quando eles sorriram e disseram “você não sentirá nada”.
E enquanto nós corremos dos tiras, nós rimos tão alto que poderia doer.